O debate global sobre mudanças climáticas e conservação ambiental passará para o coração da Mata Atlântica. De 19 a 23 de abril de 2027, o Centro de Eventos e Convenções Iguazú será o epicentro do XI Congresso Mundial de Guarda-parques, encontro estratégico que se realiza pela primeira vez em território argentino.
Tendo como pano de fundo imponente as Cataratas do Iguaçu, Património Mundial da UNESCO, o evento tornará visível uma das contradições mais graves da agenda verde global: a enorme lacuna entre os compromissos ambientais internacionais multimilionários e a flagrante insegurança laboral daqueles que arriscam as suas vidas para os proteger. Sob o lema “Reconhecer os Guarda-parques: promover a profissão para salvaguardar o nosso futuro”, o congresso – organizado pela Federação Internacional de Guarda-parques (IRF) a nível global, e coordenado localmente pelo sindicato SIGUNARA com o apoio da Administração de Parques Nacionais (APN) – procurará mudar o rumo de uma profissão em crise. Atualmente, estima-se que apenas 286 mil guardas florestais apoiam a primeira linha de defesa ecológica em todo o planeta. Este pequeno exército civil é responsável por proteger mais de 15% da superfície terrestre e 8% dos oceanos contra o desmatamento, a caça furtiva, o tráfico de drogas e o avanço do desenvolvimento imobiliário ilegal. A pressão sobre este corpo de trabalhadores multiplicou-se após acordos globais para alcançar o Quadro 30x30, o objectivo internacional que exige a protecção de 30% do planeta até 2030. No entanto, a comunidade científica e os sindicatos do sector alertam que estes objectivos são técnica e operacionalmente impossíveis de cumprir nas condições actuais. Os guardas florestais são a espinha dorsal dos nossos esforços globais de conservação. “O 11º Congresso Mundial representa uma oportunidade histórica para fazer avançar a nossa profissão, partilhar conhecimentos além-fronteiras e fortalecer a comunidade global de guardas florestais”, disse Chris Galliers, Presidente da Federação Internacional de Guardas Florestais. O contraste na cimeira será explícito. Enquanto os delegados debatem na Tríplice Fronteira – nó geográfico de alta biodiversidade para onde convergem Argentina, Brasil e Paraguai -, relatórios setoriais denunciam que a maioria dos agentes do planeta opera com salários insuficientes, orçamentos de subsistência, sem conectividade em áreas críticas e pouco reconhecimento social por parte dos Estados. A Declaração de Iguaçu: um documento para exigir dignidade laboral O programa do congresso incluirá workshops, painéis de especialistas e conferências dedicadas à gestão de áreas protegidas e à gestão de conflitos entre comunidades locais e vida selvagem. No entanto, o resultado político mais esperado da reunião será a elaboração e assinatura da Declaração de Iguaçu. Este documento histórico pretende tornar-se um manifesto global que pressione governos e organizações financeiras internacionais. A premissa é clara: as infra-estruturas de conservação não podem ser financiadas se o capital humano for mantido invisível. Investir no fornecimento de equipamentos modernos, formação contínua, salários dignos e cobertura de riscos para os guardas florestais é, em última análise, o único investimento real para garantir o futuro dos ecossistemas mais ameaçados do planeta. O mapa global dos guardiões da natureza O congresso que a província de Misiones sediará reunirá indicadores que refletem tanto a magnitude do desafio ambiental quanto o desamparo do setor:• 286.000 guardas florestais: O número total estimado em todo o mundo para vigiar os parques, reservas e áreas protegidas dos cinco continentes.• 600 delegados: Os profissionais e líderes de organizações conservacionistas que se reunirão durante cinco dias em Puerto Iguazú.• Mais de 50 países: As nações que enviarão representação oficial para unificar os critérios de proteção e as demandas trabalhistas.• 15% terrestre e 8% oceânico: O percentual atual da superfície do planeta sob a tutela direta do corpo global de guardas-parques.• 30% para 2030: A meta do compromisso internacional (Quadro 30×30) que busca duplicar as áreas sob proteção ambiental para impedir o colapso climático. • 2.000 espécies de plantas: A riqueza botânica da Mata Atlântica Missionária que servirá de enquadramento natural para as deliberações da cúpula. As inscrições já estão abertas através do site www.worldrangercongress.org









