China cria um novo tipo de madeira que fornece energia solar mesmo no escuro

China cria um novo tipo de madeira que fornece energia solar mesmo no escuro

2026-04-14
Esse novo material capta, armazena e converte energia solar em eletricidade em uma única estrutura. Suas vantagens sobre os painéis solares são evidentes Uma equipe de pesquisadores chineses desenvolveu uma madeira capaz de gerar energia solar mesmo na ausência de luz, segundo estudo publicado na Advanced Energy Materials. Este material inovador integra captura, armazenamento e conversão de energia em uma única estrutura.
A proposta representa uma mudança relevante no campo da energia solar, tradicionalmente limitado pela sua dependência direta da radiação solar. Ao contrário dos sistemas convencionais, que combinam múltiplas camadas e geram perdas de energia, esta nova solução converte a madeira modificada num sistema autossuficiente. O avanço se baseia no redesenho da estrutura interna da madeira balsa em escala nanométrica. Esse material, conhecido por sua leveza, apresenta canais microscópicos alinhados que facilitam tanto a condução de calor quanto a integração de componentes funcionais em seu interior. Engenharia avançada na estrutura da madeira Para conseguir esse comportamento, os cientistas primeiro eliminaram a lignina, componente que confere rigidez e cor à madeira. Este processo aumentou sua porosidade para mais de 93%, transformando-a em uma rede altamente reativa capaz de abrigar novos materiais. Posteriormente, as paredes internas desses canais foram revestidas com fosforeno preto, material com alta capacidade de absorver luz em diferentes comprimentos de onda. Esta escolha permitiu maximizar a conversão da radiação solar em calor, embora apresentasse um problema fundamental: a sua degradação em contacto com o ar. Para resolver isso, os pesquisadores aplicaram uma camada protetora à base de ácido tânico e íons de ferro, criando uma rede que funciona como escudo contra a oxidação. Como explicam os autores, “Nosso trabalho apresenta uma plataforma baseada em madeira escalável e ecologicamente correta para a coleta avançada de energia solar térmica”. Armazenamento térmico e geração de eletricidade O sistema se completa com a incorporação de nanopartículas de prata, que intensificam a absorção de luz, e com uma modificação superficial que confere propriedades hidrofóbicas extremas. O resultado é um material com ângulo de contato de 153°, que evita a aderência de água em sua superfície. No interior da estrutura é introduzido ácido esteárico, composto capaz de armazenar energia térmica ao derreter e liberá-la ao solidificar. Este mecanismo permite manter uma diferença de temperatura suficiente para alimentar um gerador termoelétrico mesmo quando a fonte de luz desaparece. Os testes realizados mostram que este material atinge uma eficiência de conversão de 91,27% e pode gerar até 0,65 volts em condições normais de irradiação solar. Além disso, mantém seu desempenho após mais de 100 ciclos térmicos, o que reforça sua viabilidade como solução energética sustentável. Aplicações e desafios futuros Além da geração de energia, esta madeira inteligente apresenta propriedades adicionais como resistência ao fogo, capacidade antimicrobiana e durabilidade contra condições ambientais adversas. Estas características ampliam o seu potencial em setores como a construção ou a eletrónica. Os testes realizados mostram que este material atinge uma eficiência de conversão de 91,27% e pode gerar até 0,65 volts em condições normais de irradiação solar. Além disso, mantém seu desempenho após mais de 100 ciclos térmicos, o que reforça sua viabilidade como solução energética sustentável. Aplicações e desafios futuros Além da geração de energia, esta madeira inteligente apresenta propriedades adicionais como resistência ao fogo, capacidade antimicrobiana e durabilidade contra condições ambientais adversas. Estas características ampliam o seu potencial em setores como a construção ou a eletrónica. Contudo, os próprios investigadores alertam que o próximo desafio será escalar a produção e garantir um desempenho estável em aplicações reais. Se este desafio for superado, este desenvolvimento poderá marcar o início de uma nova geração de materiais capazes de capturar, armazenar e gerir energia de forma autónoma.

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