Os cientistas não acreditam: descobrem que uma floresta africana se regenera sem plantar uma única árvore

Os cientistas não acreditam: descobrem que uma floresta africana se regenera sem plantar uma única árvore

2026-03-30
Quando se pensa em África, a imagem costuma estar mais próxima de um deserto e de uma terra seca do que de uma floresta cheia de árvores. A realidade é que, naquele continente, muitas regiões têm um cenário comum de degradação do solo e perda de vegetação. Face a esta realidade, as tentativas de reverter o avanço da desertificação têm sido constantes, mas em muitos casos insuficientes.
A solução mais repetida tem sido plantar árvores. Grandes orçamentos e campanhas ambiciosas. No entanto, o que confunde os investigadores é o que está a acontecer no centro da Tanzânia, onde a floresta regressa sem plantar uma única árvore. O método que permite que a floresta retorne sem plantar árvores na África Nas áreas secas da Tanzânia, o que se faz não é começar do zero, mas ativar algo que nunca morreu completamente. Raízes e tocos de árvores nativas que foram derrubadas há décadas sobrevivem sob campos de terra seca. A princípio aparecem como arbustos fracos e, quando cuidados, voltam a se comportar como árvores. A técnica tem dois nomes. Em inglês é conhecido como Farmer Managed Natural Regeneration (FMNR) e, na sua versão local, Kisiki Hai, toco vivo em suaíli. O método baseia-se na identificação de um toco ativo, escolhendo um ou dois brotos fortes e retirando os demais. A energia subterrânea está concentrada e o crescimento acelera. Na década de 1980, no Níger, o agrónomo Tony Rinaudo descobriu que mais de 80% das mudas não sobreviviam em condições áridas. Plantar não estava funcionando. Mas ao notar alguns supostos arbustos que, na verdade, brotavam de raízes ainda vivas, entendeu o problema. Não eram ervas daninhas, mas sim árvores tentando voltar. A partir daí, a forma de trabalhar mudou e a paisagem começou a responder muito melhor.Por que a regeneração natural de árvores funciona na TanzâniaNa Tanzânia, de acordo com o relatório FRA 2020 da FAO, a maior parte da floresta do país não é plantada, mas regenera naturalmente. Estes sistemas mantêm uma elevada biomassa subterrânea, mesmo em paisagens altamente degradadas. O problema não é o desaparecimento total das árvores, mas sim a perda de volume, a degradação progressiva e a falta de manejo continuado. Em regiões como Dodoma, os agricultores que aplicam o FMNR recuperam a sombra em poucos anos, melhoram a retenção de água e retardam a erosão. O solo esfria, as raízes o seguram e o campo volta a ser produtivo. Isto é importante porque muitas famílias não podem esperar uma década para que uma muda sobreviva. Quais os próximos passos para recuperar a floresta em áreas secas? Neste cenário, o papel do agricultor é central. O FMNR não funciona como uma campanha única, mas como um hábito. É preciso podar, proteger e olhar o campo novamente a cada temporada. É por isso que se liga melhor a terras comunais e agrícolas do que a projectos externos repletos de infra-estruturas. Organizações locais como a Fundação LEAD promoveram a formação de agricultores campeões que ensinam o método nas suas próprias aldeias. Afinal, eles não distribuem árvores, compartilham conhecimentos, e essa diferença é o que marca a verdadeira mudança.

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